Apresentação sobre a exploração espacial 9º ano B
Histórico da Exploração Espacial
Para
entendermos como o ser humano conseguiu ‘’conquistar’’ o espaço, precisamos
olhar bem para trás. As invenções que possibilitaram o sucesso das missões que
começaram a ser feitas em 1957, pela antiga União Soviética, tiveram um início
remoto; estamos falando de séculos atrás! Apertem os cintos porque o Manual de
Exploração Espacial está prestes a enviar você a uma viagem ao passado, para
que possamos entender o nosso presente e pensar no que o futuro nos aguarda!
Onde começaram os foguetes
Os
primeiros registros de foguetes foram feitos por volta de 1045 d.C, conhecidos
por fazerem parte integral das táticas militares chinesas, mas só no início do
século XIII eles passaram a ser mais desenvolvidos. Com a crescente pressão
feita pelos mongóis (grupo étnico da Ásia Central), se viu a necessidade de
melhorar o armamento, assim o foguete foi aperfeiçoado e usado pelos chineses
para repelir os mongóis na batalha de Kai-fung-fu em 1232 d.C.
Os
foguetes foram introduzidos na Europa cerca de 10 anos após essa batalha, e há
relatos sobre eles em diversos estudos ao longo dos anos. Eles estiveram
inclusive presentes na Guerra dos Cem Anos (1337–1453; entre França e
Inglaterra), no cerco à cidade francesa de Orleans. Com o passar dos séculos,
eles aos poucos foram ganhando melhorias, mas foi em 1926 que Robert Goddard
(1882–1945) criou a propulsão supersônica, sistemas de direção e estabilização
por giroscópios e combustível líquido.
Esse
projeto chegou a ser apresentado ao exército americano, porém foi descartado.
Em 1942, a Alemanha desenvolveu um míssil balístico de longo alcance, um
foguete chamado V2 que foi utilizado em bombardeios durante a Segunda Guerra
(1939–1945), embora sem causar fortes danos, pois eram muito imprecisos. Este
foguete, mais além, veio a ser o primeiro veículo espacial. Até o momento o uso
deles era totalmente militar, visando melhores formas para atacar o inimigo e
ajudar a vencer a guerra, mas finalmente em 1957 a União Soviética (atual
Rússia) conseguiu criar o R7 — um míssil nuclear modificado -, que serviu como
modelo e possibilitou a tecnologia necessária à criação de máquinas capazes de
chegar ao espaço, dando início à exploração espacial.
Dando
início ao futuro
Com o
fim da Segunda Grande Guerra, o mundo estava em constante estado de alerta. A
Europa, que até então dominava o mundo, encontrava-se devastada. O medo de que
esse ‘’fim’’ da guerra fosse apenas uma pausa, estava presente em todas as
casas. O continente europeu saiu de cena para tentar recuperar um pouco do que
foi perdido, e isso deu abertura para uma outra grande guerra entre duas nações
ainda em ascendência: a guerra ideológica entre os Estados Unidos da América
(EUA) e a então União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).
Em
1947, o presidente americano Henry Truman (1884–1972) afirmou, em um discurso,
que os Estados Unidos poderiam intervir em governos não democráticos. Essa
afirmação, junto ao plano Marshall (ajuda financeira dos EUA para reconstruir a
Europa no pós-guerra) criado no mesmo ano, iniciou a sequência de eventos que
ficaram conhecidos como Guerra Fria (1947–1989). Ambos, Estados Unidos e União
Soviética, visavam a algum tipo de domínio sobre outros países, e tinham como
objetivo fazer propaganda da sua posição política.
E como
pensar na Guerra Fria e não lembrar da corrida espacial que se seguiu durante
toda ela?
O
desenvolvimento de satélites possibilitaria a construção de satélites espiões,
uma arma útil para ambos, que buscavam a supremacia em armamentos e tecnologia.
Então, o que seria maior, como uma forte demonstração de poder, de mostrar ao
mundo inteiro que a maneira como o seu governo funcionava era a maneira certa
em direção a um futuro próspero, do que explorar o espaço? Assim iniciava a
corrida para a exploração espacial.
Primeira
fase da exploração espacial: corrida
A
primeira publicação séria que mostrava ser possível realizar a exploração
espacial foi feita em 1903, mas apenas em 1957 isso de fato teve início. A URSS
enviou dois foguetes ao espaço, o Sputnik e o Sputnik 2, em sequência. O
segundo foi o primeiro a transportar vida, uma cadela chamada Laika que ficou
famosa por ser o primeiro ser terrestre a se ‘’aventurar’’ para fora do nosso
planeta. Esse foi apenas o começo.
Logo
no ano seguinte os EUA ‘’revidaram’’ enviando o primeiro satélite americano
para orbitar a Terra, além de fundarem a NASA. No próximo ano, a URSS teria
enviado um satélite artificial para orbitar o Sol e uma sonda que conseguiu
alcançar a Lua. No ano que se seguiu, ambas as nações foram responsáveis por
enviar os primeiros homens ao espaço. Todos os anos a seguir foram cheios de
novidades e cada vez mais uma nação tentava superar a outra, e quem ganhava com
isso era a humanidade, a ciência e a tecnologia.
Os
primeiros 12 anos da corrida espacial eram uma disputa acirrada para ver quem
conseguia enviar uma missão tripulada até a Lua, e quem conseguiu, de fato,
foram os Estados Unidos, que em 1969 lançou a missão Apollo 11, ficando
eternizada por esse feito. O homem norte-americano pisando na Lua trazia a
imagem de poder que ambas as nações estavam correndo atrás, e em todos esses
anos esse era o maior propósito: poder e avanço tecnológico. Era como se eles
estivessem dizendo: venham para este novo mundo que só nós podemos te
proporcionar.
A
‘’corrida’’ estava ganha, e nos anos que se seguiram pouca coisa foi feita. Até
1975.
Figura 2. A tripulação da missão Apollo 11, da esquerda para a direita: Neil A. Armstrong, comandante; Michael Collins, piloto do módulo de comando; e Edwin E. Aldrin Jr., piloto do módulo lunar. Fonte: NASA, Domínio público, via Wikimedia Commons.
Segunda
fase da exploração espacial: cooperação internacional
Foi
aqui que a exploração espacial deixou de se tornar uma corrida. O primeiro
passo que mostrou essa mudança foi quando, em 1975, a Apollo 18 (americana) e a
Soyuz 19 (soviética) fizeram a primeira ligação internacional entre naves
espaciais, e em 1994 chegou a ser feita uma missão em conjunto entre os EUA e a
Rússia. O principal objetivo desde as primeiras missões sempre havia sido
chegar na Lua, e agora que este objetivo estava conquistado, missões destinadas
a trazer conhecimento sobre o Sistema Solar e mais além começaram a serem
feitas.
A
missão pioneira em busca do conhecimento sobre o universo foi o lançamento do
telescópio Hubble, feito pela NASA em 1990. Ele nos permitiu visualizar mais de
1500 galáxias e é imprescindível para a pesquisa até hoje. Ele traz imagens
majestosas do nascimento de estrelas, grandes colisões entre galáxias,
supernovas… É a história do universo sendo registrada e
utilizada para o estudo. Após mais de 30 anos de ‘’serviço’’, o Hubble foi
aposentado e substituído pelo telescópio James Webb (lançado em para 25 de
dezembro de 2021), que tem enviado imagens em qualidade muito melhor que seu
antecessor alterando de forma fundamental nosso entendimento sobre o universo.
Nessa
fase da exploração espacial também se construíram estações espaciais, feito
importante para se estudar os efeitos causados por viver no espaço ao ser
humano, além de serem feitas lá diversas pesquisas importantes. A MIR, estação
russa, foi a primeira delas, lançada em 1986 e posteriormente substituída pela
Estação Espacial Internacional, um projeto conjunto de diversos países e
agências espaciais.
Figura 3. Telescópio Espacial Hubble, visto de trás, em órbita da Terra. Maio de 2009. Fonte: NASA, Domínio público, via Hubblesite.
Há
alguns anos vem se falando sobre voos comerciais para fora do nosso planeta; o
que antes era de domínio governamental, começou a ser explorado e desenvolvido
por empresas privadas, com possível foco no comércio. Quem não gostaria de sair
do planeta nem que seja por alguns minutos? Enxergar o nosso ‘’pequeno ponto
azul’’ do lado de fora com certeza deve ser a experiência mais emocionante na
vida de alguém, e não faltam voluntários para pagar os preços estrondosos que tornam
isto possível!
Esses
voos comerciais são importantes para o avanço na pesquisa, tendo em vista que
nas últimas décadas a NASA teve seu orçamento reduzido, em percentual do
orçamento americano. Esse tipo de ação agora pode ser terceirizada, e quanto
mais viagens feitas — e pagas com os bilhetes vendidos para os tripulantes -,
elas acabam ficando mais baratas num geral, porque quando esta se torna uma
atividade lucrativa, faz sentido os empresários jogarem dinheiro para se
pesquisar avanços e maneiras de tornar ela cada vez mais rentável. Nos dias de
hoje, a NASA depende dos foguetes e cápsulas da SpaceX — maior empresa
aeroespacial privada, criada por Elon Musk e com objetivo principal a
colonização de Marte -, para enviar astronautas e cargas para a Estação
Espacial Internacional. Operadores de satélites privados, governamentais e
militares utilizam o foguete reutilizável Falcon 9, entre outros veículos
privados, para colocar seus satélites em órbita.
Tudo
isso ainda é muito recente, mas esse futuro já está na nossa frente e nos
próximos anos ele vai ser tudo o que vamos conhecer, exatamente como aconteceu
com a internet na década de 1990! O que antes era inacessível e inimaginável
para a população, hoje está no bolso de muita gente.
Figura
4. Lançamento do Falcon 9 na missão Starlink L‑25, levando 60 satélites para o espaço. Centro
Espacial Kennedy, EUA. Maio de 2021. Fonte: U.S. Space Force, fotografia por
Joshua Conti, Domínio público, via Wikimedia Commons.





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